segunda-feira, abril 27, 2015

Entre muitos


Sou quem sou.
Inconcebível acaso
como todos os acasos.
Fossem outros
os meus antepassados
e de outro ninho
eu voaria
ou de sob outro tronco
coberta de escamas eu rastejaria.
No guarda-roupa da natureza
há trajes de sobra.
O traje da aranha, da gaivota, do rato do campo.
Cada um cai como uma luva
e é usado sem reclamar
até se gastar.
Eu também não tive escolha
mas não me queixo.
Poderia ter sido alguém
muito menos individual.
Alguém do formigueiro, do cardume, zunindo no enxame,
uma fatia de paisagem fustigada pelo vento.
Alguém muito menos feliz,
criado para uso da pele,
para a mesa da festa,
algo que nada debaixo da lente.
Uma árvore presa à terra
da qual se aproxima o fogo.
Uma palha esmagada
pela marcha de inconcebíveis eventos.
Um sujeito com uma negra sina
que para os outros se ilumina.
E se eu despertasse nas pessoas o medo,
ou só aversão,
ou só pena?
Se eu não tivesse nascido
na tribo adequada
e diante de mim se fechassem os caminhos?
A sorte até agora
me tem sido favorável.
Poderia não me ser dada
a lembrança dos bons momentos.
Poderia me ser tirada
a propensão para comparações.
Poderia ser eu mesma – mas sem o espanto,
e isso significaria
alguém totalmente diferente.
SZYMBORSKA,Wisława. Poemas. Trad. de Regina Prazybycien. São Paulo: Companhia das Letras, 2011. p.p. 100,101,102.
Wisława Szymborska Poetisa, crítica literária e tradutora polonesa. Viveu em Cracóvia, onde se formou em Filologia Polaca e Sociologia pela Universidade Jaguellonica. A sua extensa obra, traduzida em 36 línguas, foi caracterizada pela Academia de Estocolmo como «uma poesia que, com precisão irónica, permite que o contexto histórico e biológico se manifeste em fragmentos da realidade humana», tendo sido a poetisa definida, como «o Mozart da poesia». Prêmio Nobel de Literatura, 1996.

segunda-feira, junho 09, 2014

Tempos de calma

Tempos de calma
dias em que meu coração ouve o mar
quer ficar em silêncio
sentir o vento entre os cabelos, dançar...
sair pra rua
tomar banho de chuva e sonhar

quinta-feira, agosto 30, 2012

Pausa... é tempo de espera

Ainda nem sei o que virá
mas espero
dias assim calados....
noites frias.

Ainda nem sei se vou gostar
mas espero
sonhos assim repetidos
gosto de quero mais...

quarta-feira, maio 16, 2012


Onde estará a beleza que se perdeu e
O sorriso que tantas vezes encantou?
Voa, voa, voa...
Pra bem longe, aqui pra perto...
Lá onde os deuses jogam xadrez e
p a c i e n t e m e n t e
escolhem nossos destinos...
É hora de ganhar mais cor,
Conquistar horizontes de paz

o bater das asas

Por onde passa o mistério
deixa o rastro de dúvida...
seria dona lagarta
melhor que a borboleta?

Quem pode me responder?
quem se atreve a desvendar?

discreta, feiosa e lenta
leve, ágil e faceira
quem melhor se encaixa na história?


eram 3 de uma vez...

O tempo muda...
muda as pessoas, 
muda o mundo.
O tempo esquece...
esquece os velhos sorrisos,
esquece as mágoas.
O tempo envelhece...
envelhece o jornal,
envelhece a face.
O tempo mata
a lembrança perdida,
o amor que se foi.
O tempo apaga...
os instantes contidos,
as marcas deixadas.
O tempo trasnforma...
transforma o tempo perdido,
 o coração ferido.
O tempo se vai
se vai para longe
se vai para o fim.

 
                                     - Valéria Barros

poema emprestado para um velho amigo que se foi...

Mesmo quando o outro vai embora, A GENTE NÃO VAI. A gente fica e FAZ UM JARDIM, qualquer coisa para ocupar o tempo, um banco de almofadas coloridas, e pede aos passarinhos não sujarem ali PORQUE AQUELE É o banco do nosso amor, do nosso GRANDE AMIGO. Para que ele saiba que, EM QUALQUER TEMPO, em qualquer LUGAR, daqui a NÃO SEI QUANTOS anos, ele pode SIMPLESMENTE voltar, SEM MAIS EXPLICAÇÕES, para olhar o céu de mãos dadas.
(rita apoena)

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sexta-feira, novembro 04, 2011

Flores para quando vc voltar...


É tempo de sair do casulo confortável e voar...
É tempo de trasnformação!